Carnage

Carnage

Ficha técnica

Título: Carnage ( O deus da carnificina)

Direção: Roman Polanski

Direção de fotografia: Pawel Edelman

Gênero: Comédia/ Drama

Crítica

Um filme de Roman Polanski baseado em uma peça de teatro Le dieu du Carnage  de Yasmina Reza, composta por quatro personagens centrais que são interpretados pelo elenco estrelado de  Christoph Waltz, Jodie Foster, Kate Winslet e John C. Reilly.

O filme começa mostrando um grupo de crianças brincando e por algum motivo desconhecido dois meninos começam a brigar e tudo termina em uma agressão no pátio da escola que frequentam. Com esse enredo, o filme todo se passa somente em um cenário o apartamento de Michael (John C. Reilly) e Penelope (Jodie Foster),os pais da criança agredida, onde recebem Alan (Christoph Waltz) e Nancy (Kate Winslet) para conversarem sobre o acontecido.

Durante a conversa para resolverem o fato, os pais das crianças começam a mostrar as suas próprias facetas como no desejo de extrema justiça de Penelope e no desdém mostrado por Alan. No decorrer da conversa seus sentimentos sinceros quanto ao assunto e quanto ao relacionamento dos casais começa a ser dissecado a ponto de todos mostrarem como realmente são e o que realmente pensam ao se despir da hipocrisia da sociedade.

Polanski peca um pouco nos momentos de transição de humor e revelação das personalidades reais dos personagens pelo fato de forçar um pouco as discussões e os personagens só se mostrarem de verdade quando estão bêbados com dois goles de Whisky.

Nesse ambiente vemos que Roman Polanski não quis simplesmente transformar o roteiro de uma peça em filme e sim gravar o filme no estilo de uma peça onde tudo se passa em poucos ambientes,  vemos que a fotografia também foi utilizada de forma a nos incluir no cenário e nos envolver ainda mais no clima de teatro onde os personagens são gravados quase sempre de corpo inteiro.

O ponto máximo do filme são as atuações de Christoph Waltz e da genial Jodie Foster que dão o gostinho de que o filme realmente valeu a pena ser visto.

07/10

A Árvore da Vida

A Árvore da Vida
A Árvore da Vida

Ficha Técnica

Título: A Árvore da Vida [The Tree of Life]
Direção: Terrence Malick

Roteiro: Terrence Malick

Gênero: Arte / Drama

Crítica

Se Terrence Malick já foi um dia chamado de discípulo do mestre Stanley Kubrick, isso não reflete apenas uma inspiração nata pelo grande diretor, mas também uma capacidade incrível de nos fazer pensar e de nos deixar atônitos no fim de seus filmes. Se em Além da Linha Vermelha de 1998 Malick nos fez refletir sobre a guerra e em O Novo Mundo de 2005 nos fez confrontar com a idéia do verdadeiro amor, em Árvore da Vida, Malick vai mais além: ele tece uma verdadeira desconstrução do que é a Vida para depois analisá-la em diversos ângulos, e chega a um final arrebatador.

No começo de A Árvore da Vida, somos apresentados à seguinte passagem bíblica:

“Onde Tu estavas quando lancei os fundamentos da Terra…?

Quando as estrelas da manhã juntas cantavam, e todos os filhos de Deus gritavam em júbilo? – Jó 38: 4,7

Malick portanto, inicia seu filme mostrando do que ele se trata: Qual o nosso papel na terra? Quem somos nós? Somos partes de um plano maior?

A Árvore da Vida, segundo a bíblia, é a árvore que Deus permitia que Adão e Eva comessem. Diferente da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, a qual representa o primeiro pecado.  No começo, a personagem interpretada por Jessica Chastain nos revela que há dois caminhos na vida a serem seguidos: o caminho da graça e o caminho da natureza. Eis a citação da personagem:

“A graça não procura satisfazer a si própria, ela aceita que a desprezem, que a esqueçam, que não gostem dela, ela aceita ser insultada, e ser ferida.

A natureza só quer satisfazer a si mesma, e fazer com que os outros a satisfaçam. Ela gosta de ser livre, e que façam a sua vontade. Ela procura razões para ser infeliz quando o mundo todo está feliz ao seu redor, e o amor está sorrindo através de todas as coisas.

Quem ama o caminho da graça jamais tem um fim triste.

Eu serei leal a você.

Aconteça o que acontecer.”

A árvore da vida portanto representa o caminho da graça e a árvore do conhecimento o caminho da natureza. Mas o título ainda possui outra conotação, a de Vida em si. Uma árvore é plantada quando Jack (personagem principal interpretado pelo jovem Hunter Mckraken) nasce, portanto, a árvore também representa o curso de uma vida.

Mas Malick vai ainda mais além, ele resolve nos mostrar a origem do universo ao som de música clássica. As imagens mostram um universo perfeito em simetria, belo em cores, e aterrador por natureza. A bíblia revela que conhecemos uma árvore por seus frutos. Seria portanto essa a imagem de Deus, seria Ele nosso último personagem na trama?

Malick analisa a vida, nossos medos e anseios segundo um núcleo familiar dos anos 50. O personagem principal é um garoto chamado Jack, que tem medo de seu pai (interpretado por Brad Pitt), e ama incondicionalmente sua mãe (Jessica Chastain). O pai, apesar de ser durão e não muito comunicativo, só quer que seus filhos cresçam independentes, mesmo que para isso ele precise agir de forma mais severa com eles. O pai, um inventor, é a própria personificação do caminho da natureza, e sua mãe, do caminho da graça. Mas quem será Jack? Será a representação do ser humano?

Sean Penn interpreta Jack no presente. Um adulto perdido em sua vida, que resolve confrontar suas memórias do passado. E ao confrontá-las, perde-se a noção de espaço-tempo. Suas memórias o levam a um lugar que já não faz sentido racional, mas apenas emocional. Um lugar de reencontro e redenção.

Seja para quem acredite em Deus ou não, as questões aqui debatidas vão além de uma crença, elas vão de encontro ao próprio Homem como ser humano.

Desafiador, grandioso e suberbo. A Árvore da Vida representa um cinema milimetricamente planejado e artístico.

Trata-se de uma obra essencial e talvez uma das mais importantes das últimas décadas.

10/10

E uma cena do filme:

 

O Ultimato Bourne

O Ultimato Bourne
O Ultimato Bourne

Ficha Técnica

Título: O Ultimato Bourne [The Bourne Ultimatum]
Direção: Paul Greengrass

Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns, George Nolfi.

Gênero: Ação / Thriller / Mistério / Drama /

Crítica

Quando Matt Damon, juntamente com Ben Affleck, fez Gênio Indomável em 1998, os holofotes foram para essa dupla de amigos que até então nunca tinham sido nomeados a nada. E, de repente, lá estavam eles recebendo um Oscar por roteiro naquele mesmo ano.

Desde então, Damon só tem escolhido filmes a dedo, e escolhas certas em projetos certos. Podemos citar de tantos bons projetos alguns como O Bom Pastor (dirigido por Robert De Niro), Além da Vida e Invictus (ambos dirigido por Clint Eastwood), Os Infiltrados (dirigido por Scorsese) e etc. Depois de todos esse diretores de peso, fica difícil não perceber que Matt Damon ainda é um nome requisitado em hollywood.

O Ultimato Bourne marca a volta de filmes de ação inteligentes e levados a sério, conduzidos com maestria [os dois últimos] pelo ótimo diretor britânico Paul Greengrass, o mesmo de Domingo Sangrento e Võo United 93. Que tem como característica, sua câmera na mão, sempre tremendo, com closes perfeitos em lugares inimagináveis. Ponto para Greengrass. Que consegue transmitir toda a agonia do personagem, sem apelar pelos clichês. Marca sempre presente nos filmes de ação atuais.

Nesse último capítulo da trilogia original (já que nesse ano, O Legado Bourne abre possibilidade para uma nova trilogia, dessa vez com o também competente Jeremy Renner no papel principal), Jason Bourne continua fugindo, mas concentrado em descobrir sua verdadeira origem, da qual está cada vez mais perto de conhecer. Seus sonhos, mais pra pesadelos, dizem cada vez mais sobre sua sinistra origem, embora não consiga decifrá-los, ainda.

Quando um jornalista tem acesso a uma determinada informação, tanto a CIA quanto Jason Bourne entram numa corrida para tentar ter em mãos a fonte, o Traidor, e impedí-lo de se encontrar com Jason Bourne. Já que parece que esse tal informante guarda segredos sobre a própria origem de Bourne. Começa então uma caçada alucinante.

O roteiro notadamente inspirado exala pontos políticos, mas nada moralista a ponto de mudar o foco da narrativa, que aqui é apenas uma: a origem de Jason Bourne. A fotografia é absurdamente ótima. O enquadramento está milimetricamente bem colocado e assusta qualquer entendido do assunto pela estética. A edição é outro ponto alto do filme, e a edição e mixagem de som estão IMPECÁVEIS. Os atores estão esbanjando capacidade técnica. E a direção sobra elogios.

O Ultimato Bourne chega ao seu fim de uma maneira bem original como precisava para encerrar a série com chave de ouro e deixa o gosto amargo do adeus, e a certeza de que a Trilogia Bourne entrará no Limbo dos filmes de ação.

Pra quem gosta de filmes levados a sério, O Ultimato Bourne preenche todas os requisitos. Basta deixar o Pré-conceito de lado, e se deixar levar por essa história intrigante, bem escrita, bem atuada, e por fim, bem dirigida.

A Trilogia vai deixar saudades.

Obrigado Paul Greengrass e Matt Damon, por nos ter devolvido ação com inteligência.

9.5/10

Estréia

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Esse é o blog Sétima Arte! E ele é formado por dois amigos estudantes de engenharia química que, apesar de morarem em países diferentes, compartilham de uma mesma paixão: CINEMA! Eu me chamo Saulo Victor, e meu amigo e também redator se chama Eduardo Castro, e com a ajuda do nosso amigo André Vieira montamos esse blog!

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